Aula de suspense no cinema

Postado em enquanto isso... com as tags , em Junho 4, 2009 por cinegargantua

Rebecca (1940) do mestre Alfred Hitchcock estava na nossa lista dos filmes por assistir há algum tempo.

Como é bom ver Joan Fontaine e Laurence Olivier dirigidos num drama que vai prendendo nossa respiração ao ver as situações nas quais a mocinha que se casa com o viúvo vai se deparando. Rebecca, a primeira esposa paira sem aparecer em cena.

Uma iluminação, fotografia, figurino impecáveis.

Tudo justifica os Oscars que ganhou.

Cenário da mansão de tão perfeito complementa a opressividade das situações da nova esposa. Um luxo de detalhes. A trilha sonora milimetricamente colocada.

Hitchcock vai somando, cena a cena, a adrenalina das situações corriqueiras que se tornam insuportáveis.

Uma aula de como fazer suspense. Assistimos como alunos devotos do mestre.

rebecca

mansão

Banho sagrado de cada dia

Postado em enquanto isso... com as tags , , em Maio 22, 2009 por cinegargantua

Há um tempo estávamos de olho no filme “Banhos” (1999) do diretor chinês Zhang Yang, mas só ontem assistimos.

A primeira cena parece de um filme futurista, com um chinês entrando numa cabine de chuveiros públicos que funciona como um lava-rápido de gente. Com aquelas escova rotatórias e tudo.

Na verdade é sobre a relação de um pai com seus dois filhos, um com problemas mentais e que mora e trabalha com ele na casa de banho que ele dirige, e outro, que foi morar na cidade grande e tentar outra vida.

O que surpreende é a metáfora do banho como religare humano. Como momento mágico, quase atávico, de memória uterina, quando imersos na água morna nos soltamos, deixamos de lado tensões, estamos nos limpando das impurezas da aceleração e desumanidade cotidiana.

O filho com problemas mentais é um destaque em cada cena, estabelecendo pontes entre os mais diversos fatos e personagens.

Sensível. Uma fotografia linda.

Coadjuvantes ilários. Até gafanhotos protagonizam cenas.

Dá vontade de morar na casa de banho. E ao terminar de ver o filme, nada como um demorado banho para limpar a alma e prorrogar a sensação de sagrado do filme!banho

Precisamos de amor…criatividade e ousadia!

Postado em enquanto isso... com as tags , , , em Maio 19, 2009 por cinegargantua

Os Beatles cantam que tudo que precisamos é amor. Isso sempre. No cinema também, principalmente amor pelo que se faz.

Ontem tivemos o privilégio de assistir o filme “Corrida em busca do amor” (1972) do diretor paulista Carlos Reichenbach na mostra “Os Bons da Boca”. Estamos produzindo esse evento para o Sesc Consolação.

Grata surpresa ver o primeiro longa do Carlão já com as ousadias que vão caracterizar sua obra posterior a ele.

Neste filme a história é simples: uma corrida com duas equipes que competem entre si, carros antigos “envenenados”, garotas disputadas, um tio maluco que ajuda seu sobrinho e muitos personagens divertidos.

Segundo ele, o filme foi uma encomenda do produtor, focada para o público infanto juvenil.

Ao assistir temos uma aula de planos ousados, citações ao estilo Godard e comédia italiana, cenas ousadas feitas sem dublês, uma trilha sonora variada e de funções múltiplas (dialoga, contradiz, evidencia as cenas) e como Carlão ressaltou no debate ao final da exibição em película, muita criatividade e ousadia para dar conta de solucionar todos os problemas de produção que o filme teve.

Assistam tudo que ele produz. Deixa sua marca anarcocriativa que contagia!

corrida

Carlos Reichenbach e Máximo Barro depois do filme, conversando com público

Carlos Reichenbach e Máximo Barro depois do filme, conversando com público

Sonhos, pessoas e mais pessoas.

Postado em enquanto isso... com as tags , , em Abril 8, 2009 por cinegargantua

Dois filmes que vimos ultimamente se conectam quanto ao tema em alguns pontos. São eles “O segredo do grão” , 2008, de Abdel Kechiche e “Por amor”, 2009, de David Hollander.

Ambos colocam seus protagonistas em momentos da vida onde mudanças são inevitáveis e a possibilidade da realização de sonhos e vontades parece ter paredes e mais paredes pela frente. Todos estão buscando algo, de todo coração.
Em “O segredo do grão” Slimane, chega aos 61 e vai ser despedido. Sonha com um restaurante num barco onde servirá o famoso couscous com peixe. O mesmo que sua ex-mulher prepara aos domingos para sua família que vive a realidade de ser árabe na França. Uma alegoria do mundo atual, com a crise financeira, o questionamento do emprego, a família como instituição em crise, as outras crises de preconceitos entre povos, etnias, religiões.segredo
Já em “Por Amor”, tradução do nome original “Personal Effects”, Ashton Kutcher surpreende vivendo o paranóico irmão de uma jovem assassinada, que encontra em terapia de apoio a famílias que tiveram esse tipo de caso a personagem de Michelle Pfeiffer, cujo marido foi assassinado e sobrevive programando casamentos num salão municipal para sustentar-se e conseguir dar conta das situações de agressão e raiva do seu filho adolescente que nasceu surdo. Solidões profundas de pessoas lutando por algo que nem bem sabem o que é, mas continuam lutando com toda sua força e resiliência.
amor
Parece tudo muito confuso, mas não é. São filmes que nos colocam personagens que podiam ser nossos pais, irmãos ou vizinhos e que têm que dar conta de encontrar força para transformar seus sonhos em realidade, vivendo dia após dia, enfrentando cada situação, passo após passo. Claro, encarando os fatos e descortinando ilusões que socialmente foram impostas durante séculos: a família é sagrada, filhos devem respeito a seus pais, o casamento é perfeito, o emprego é eterno, ninguém mata ninguém, bla..bla..bla…
Servem para questionar, nos levar a repensar e se formos fortes, continuar fortemente atrelados a nossos sonhos, pois estes são reais, independente de qualquer tipo de crise! Ah, como são!
Se possível com encontros renovadores, novos amores, novos tipos de relações entre as pessoas, boa música e dança do ventre hipnotizante. Claro, boa comida não pode faltar!

Solidões globalizadas

Postado em enquanto isso... com as tags , em Março 24, 2009 por cinegargantua

“The visitor”, 2007, de Thomas McCarthy com os atores Richard Jenkins, Haaz Sleiman, Danai Jekesai Gurira merece ser visto com carinho e alma aberta.

Escancara a situação do tratamento dado aos imigrantes nos países ditos “ricos” e expõe a ferida da sociedade atual que é o isolamento, a solidão em meio a bilhões de pessoas no planeta.

Uma sensibilidade que vai crescendo com o passar do filme estrutura a relação do professor entediado com o músico Tarek, sua mãe e namorada. A música, o instrumento djembe e o ritmo como conectores humanos universais.

Num mundo de hoje, com tantas fronteiras, o cinema e a música são elos entre os povos. Função social da arte.

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grupo

Bom cinema de Clint

Postado em enquanto isso... com as tags , em Março 4, 2009 por cinegargantua

Gran Torino do diretor Clint Eastwood é uma das boas surpresas dos filmes que vimos ultimamente.

Estrelado por ele, no papel de um veterano de guerra solitário, morando num bairro tomado por imigrantes de diversas etnias, nos conduz mais uma vez a uma história que parecer ser sobre uma coisa e na verdade é sobre outra.

Gran Torino é o nome de um modelo de carro dos anos 70, que se tornou item de colecionadores afeitos a seu design e seu estilo. O filme recebe esse nome, não por se tratar de carros, mas por simbolicamente ser esse carro o elo de conexão entre as diversas personagens do filme que vão cruzar a vida do protagonista.

Belo filme sobre questões da modernidade urbana atual no mundo – violência, imigrantes, juventude sem perspectivas, idosos excluídos. O toque mágico de Clint, sempre com boa música e um cinema que ele aprendeu dos tempos dos filmes de western do diretor Sergio Leone.

Boa cena – quando Walt, com toda sua dureza na vida, não resiste ao aroma da comida oriental preparada pelos seus vizinhos. A celebração do encontro através da comida. Comunhão simbólica pura.

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torino

Doc.fic+romance+Bollywood= Oscar

Postado em enquanto isso... com as tags , , em Março 1, 2009 por cinegargantua

Assitimos “Slumdog millionaire” de Danny Boyle e ficamos pensando nos rumos do cinema atual.

Que o cinema “realidade” está aí já comentamos, mas sentimos que o mix de gêneros é outra forte tendência.

Na festa de premiação do Oscar este filme levou quase todos os prêmios aos quais foi indicado. A indústria premia aquilo em que ela aposta, investe.

Em toda linguagem artística dá para tentar achar a linhagem de influências que deram origem a obras.

Dany Boyle deve ter assistido “Cidade de Deus”, “O jardineiro fiel” e claro, os musicais/romances de Bollywood. Imprimiu em seu filme a marca de uma nova tendência, o cinema verdade/romance/musical. Os países emergentes estão na moda no cinema. Suas realidades e estéticas também.

Vamos continuar assistindo coisas e refletindo sobre … puro prazer!millionaire

boyle

Documentar a vida

Postado em enquanto isso... com as tags , em Fevereiro 24, 2009 por cinegargantua

O documentário está no auge novamente. Adoramos assistir. Estamos no meio da produção de um sobre a Boca do Lixo. Para aprender a fazer devemos nos permitir assumir o papel de espectador e assistir, assitir…temos feito isso.

Uma dica, assistam os mestres. Eles produziram coisas atemporais.

Assistimos “Grey Gardens”, 1975, de Ellen Hoyde, Albert Maysles, sobre duas parentes da Jackie Onassis que viveram trancadas em sua casa de veraneio nos Hamptons durante 20 anos, com seus conflitos, suas excentricidades e suas inspiradoras personalidades. Mulheres fortes numa sociedade onde o que importava era ser casada e deixar de lado sonhos.

Uma aula de como filmar pessoas e deixá-las ser elas mesmas em frente a uma câmera.

No Brasil foi lançado pelo selo da coleção Videofilmes. Vale cada minuto.

grey_gardens

Enquanto isso…

Postado em enquanto isso... com as tags , , , , em Dezembro 31, 2008 por cinegargantua

Engatados numa corrida de trabalho desde final de outubro, postergamos os 4 filmes que separamos para ver em novembro agora em janeiro de 2009.

Enquanto isso, nos feriados de Natal vimos:

The Apartment, 1960, Dir. Billy Wilder. Com Jack Lemmon e Shirley Maclaine.

Atual como nunca, um funcionário de uma grande empresa, presta favores a seus chefes, emprestando o apartamento para que eles levem suas amantes. Ele mesmo, é um solitário apaixonada platonicamente pela moça do elevador.

Poder, sexo e dinheiro numa trinca que Wilder herda do seu mentor cinematográfico Libitsch.

Cenas incríveis no escritório, com mesas e mesas perfiladas, com funcionários fazendo todos a mesma coisa, do mesmo jeito, olhando para o relógio e esperando a hora de ir para casa. Mais hoje impossível!

Ainda bem que ele não seguiu carreira de advogado na Alemanha e foi dirigir filmes em Hollywood. Amamos!!!

apartmentO outro filme espanhol é Calle Mayor, 1956, Direção Juan Antonio Bardem (tio do ator Javier Bardem).

No filme um grupo de amigos prega peça numa moça solteira, fingindo estar interessados nela e prometendo casamento.

Um deles se apaixona por ela, mas fica em conflito com os interesses do grupo de amigos. No filme, o diretor consegue criar uma sensação de tensão constante até o final.

Calle Mayor é o lugar onde os jovens circulam para ficar paquerando, como em qualquer cidade do mundo. E onde aparecem os interesses, comportamentos, jeitos de encarar a vida.

Estamos de olho nos filmes desse diretor e dessa época na Espanha.

calle

Programação Janeiro 2009 (antiga Novembro)

Postado em programação com as tags em Novembro 10, 2008 por cinegargantua

Acabaram ficando para janeiro nossas escolhas feitas em novembro:

Aparajito, Dir. Satyajit Ray, Índia, 1956.aparajito

Rembrandt, Dir. Jos Stelling, Holanda, 1977.rembrandt

Double indemnity, Dir. Billy Wilder, EUA, 1973.billy

Umberto D., Dir. Vittorio de Sica, Itália, 1955.sicaResenhas e resumos nos posts de cada semana.

Oitava Sessão – Vij – filme de bruxa no Dia das Bruxas

Postado em Sessões de Outubro com as tags , , em Novembro 3, 2008 por cinegargantua

Filme russo de 1967, baseado na obra literária de Gogol.

Três amigos seminaristas procuram lugar para dormir e acabam encontrando uma fazenda antiga de uma velha senhora, que se revela bruxa, portadora de poderes mágicos. Ela voa montada nos ombros de um deles, que acaba por matá-la. Nesse momento ela se transforma numa linda moça.

O seminarista que a mata foge e depois é convocado pelo pai da tal moça para realizar os ritos religiosos finais antes do funeral. Neles ele vai ter que virar 3 noites rezando por ela.

A trama chega ao auge em cada uma dessas noites, onde sozinho, trancado na capela, ela se levanta do caixão e vai amaldiçoando-o, enquanto ele tenta resistir num círculo de giz desenhado no chão.

Os diálogos do filme servem de metáfora contra o poder de igreja sobre os pagãos, ao mesmo tempo que mostram o quanto mágicos são os ritos incorporados por ela. Ambos usam palavras de poder, feitiços, locais sagrados, círculos de força.

Ela acaba não resistindo. A bruxa vence. E o cinema também. A fotografia lembra quadros medievais e as cenas com a bruxa, mesmo com efeitos especiais que hoje parecem simples, dão um show.

Tim Burton com certeza viu e se inspirou para o Noiva Cadáver. Aula de filme de suspense! Adoramos.

Sétima Sessão – Godard

Postado em Sessões de Outubro com as tags , em Outubro 25, 2008 por cinegargantua

Nós, a dupla mentora dessa idéia do cineclube caseira estamos ficando adictos…em filmes bons!!!

Cada semana vamos descobrindo que precisamos continuar a ver mais filmes, e como isso nos dá prazer.

O filme do Godard não fica fora disso, claro. De 1961, e ganhador de prêmios no Festival de Berlim, é tão atual que dá vergonha comparar com o que está sendo produzido no cinema comercial hoje. Claro, Godard nunca foi comercial, mas se permitiu sempre um cinema com uma liberdade criativa que hoje parece meio fora de moda. Nos parece que ser pessimista e violento virou algo bacana. Cansamos disso.

Música, palavra, cor, atuação impecável da protagonista Anna Karina e dos seus parceiros de cena nos hipnotizaram durante a uma hora e vinte minutos do filme.

A cena marcante é quando Angela, a personagem, e seu namorado Emile brigam e deixam claro que não estão se falando. Vão se deitar, cada um olhando para um lado da cama. Desligam os abajures. Logo depois ela liga o abajur, vai até a biblioteca, pega um livro e volta para a cama. Tampa parte da capa e a palavra que aparece inicia uma discussão silenciosa entre eles, com pilhas de livros nas mãos, com as quais eles vão construindo frases do diálogo, réplicas e tréplicas da discussão, com dizeres de capas de livros. Inesquecível.

Outra coisa linda é ver sempre um casal se beijando longamente em várias das cenas do filme, ao fundo da interpretação que está acontecendo. Cinema poesia, cinema palavra. Música visual para a alma do espectador.

Sexta Sessão – Na Companhia dos Lobos

Postado em Sessões de Outubro com as tags , , em Outubro 18, 2008 por cinegargantua

Sessão inteiramente familiar.

Tema com gostinho de época da infância, com os contos de fada tornados imagem nesse filme de Neil Jordan.

Cenas que recriam a fantasia que temos (ao menos nós que assistimos) da História da Chapeuzinho Vermelho. Um aprofundamento dos símbolos do desenvolvimento do feminino, do enfrentamento das crises da sexualidade juvenil. Uma floresta com sua trilha segura e as muitas tentações fora dela. Cogumelos gigantes, uma avô contadora de histórias e apontadora de perigos, o tecer da capa vermelho com a lã mais macia que acharam e Rosaleen, a protagonista, se destacando na multidão ao usá-la durante a missa no vilarejo.

Quem são os lobos maus? Como eles se apresentam para as mocinhas…com suas sobrancelhas unidas, olhar desejante e atitude sedutora.

Ponto alto a cena onde a menina se descobre domadora dos lobos e ela mesma uma loba, vivendo outra fase da vida, não mais na infância. Fotografia e direção de arte de babar…

Quinta Sessão – Trilogia de Apu/A canção da estrada

Postado em Sessões de Setembro com as tags , em Outubro 13, 2008 por cinegargantua

Estamos na recorrência da presença de Vagner, Pavan e Careimi para os filmes.

Desta vez um cinema das outras bandas do mundo, a Índia. Uma produção da década de 50 do século passado, que dá um puxão de tapete em nós, da vida da virada do século 21. Nos mostra como voltar a ser simples, intensos, observadores do momento cotidiano.

Neste primeiro filme da Trilogia vemos Apu, o menino que integra a saga, nascer e como foi sua infância ao lado de sua irmã Durga, sua mãe, pai e tia, morando numa casa simples da área rural.

Seu pai era um literato e tinha dificuldade de conseguir trabalhos para sustentar a família, que passa fome, mas não perde aquele olhar de curiosidade quando chega o vendedor de doces ou se aproxima o Festival anual, onde comida é farta e para todos.

Filmado em preto e branco valoriza as texturas de um país rico em fauna e flora, do seu povo com olhos ternos e pele cor de terra. Um tempo de cenas meditativo.

Agora esperamos o segundo filme da Trilogia para ver que rumo toma Apu na vida, num momento onde seus pais, após a morte da filha, decidem se mudar para a cidade.

Uma coisa é certa, o cinema brasileito tem muito que aprender com a Índia e seu cinema.

Pickpocket – quarta sessão

Postado em Sessões de Outubro com as tags , em Outubro 7, 2008 por cinegargantua

Rolou um clima filme para garotos nessa quarta sessão. Com pizza e acompanhamentos.

Pavan e Vagner tiveram a honra de assistir ao clássico de Robert Bresson, que foi um dos filmes que influenciaram a Nouvelle Vague Francesa que viria a acontecer.

No filme Michel é fã de literatura e, inspirado numa personagem, vai se tornar um exímio batedor de carteiras. Ele está sempre desafiando as autoridades, e demonstra sua intenção de ser superior através da astúcia que envolve roubar carteiras sem nunca ser pego em flagrante.

O filme todo apresenta uma característica fria, distante. Uma frieza de sentidos, das imagens, das relações…um jogo que culmina com um encontro amoroso.

Cena memorável – os roubos simultâneos de carteiras, fluindo por lugares diferentes, de mão em mão, com artimanhas mil.

Programação 2

Postado em programação com as tags , , , , , , , em Outubro 1, 2008 por cinegargantua

Dia 11/10:

Trilogia de Apu – A Canção da Estrada (Pather Panchali)

India, 1955, 120 min.

Direção: Satyajit Ray

Elenco: Kanu Bannerjee, Karuna Bannerjee, Subir Bannerjee.

Durga, uma menina pobre, rouba fruta num pomar para dar a comer à sua velha tia, mas é apanhada pelos donos. Para desespero da mãe, é acusada de ladra e a família apontada a dedo na aldeia. O pai, homem ingênuo e sem trabalho fixo, sonha em ganhar a vida escrevendo peças de teatro e em ser respeitado na aldeia como um intelectual. Mas não tem sucesso e é obrigado a partir para longe em busca de trabalho deixando a mulher e os filhos a sobreviver com dificuldades. Quando regressa, a tragédia tinha-se abatido sobre a família…

Dia 17/10:

A Companhia dos Lobos (The Company of Wolfes)

Inglaterra, 1984, 95 min.

Direção: Neil Jordan

Elenco: Sarah Patterson, Angela Lansbury, David Warner.

Acontecimentos sensuais e violentos preenche os da adolescente Rosaleen (Sarah Patterson). Ela testemunha sua irmã sendo morta por um lobo. Sua avó (Angela Lansbury) lhe conta histórias de lobisomens e dos perigos que ela deve esperar, especialmente de homens cujas sobrancelhas se encontram. Os sonhos se intensificam à medida que escuta cada vez mais as histórias. Enquanto sonha, muitas das histórias se tornam verdadeiras. Ela amadurece, mas ainda é influenciada pelas histórias que escutou. Ao visitar a vovó ela segue à risca as recomendações de sua mãe para se manter no caminho traçado da floresta. Durante a jornada, ela encontra um jovem caçador; ele é tão bonito que ela nem repara que suas sobrancelhas se encontram. Ele se vangloria dizendo que consegue chegar na cabana de sua avó antes do que ela. Se ele ganhar, seu prêmio será um beijo. Rosaleen ao chegar só encontra a avó morta e o jovem caçador se transformando em um lobo.

Dia 24/10:

Uma Mulher é uma Mulher (Une Femme est Une Femme)

França, 1961, 85 min.

Direção: Jean-Luc Godard

Elenco: Anna Karina, Jean-Paul Belmondo, Jean-Claude Brialy.

Uma dançarina de cabaré tenta convencer seu marido a engravidá-la, ao mesmo tempo que reflete sobre sua vida. Um dos grandes clássicos do mestre Godard, uma aula estética sobre cinema e um dos grandes marcos iniciais do movimento da Nouvelle Vague.

Dia 31/10:

Viy – Espírito do Mal (VIY)

Rússia, 1967, 78 min.

Direção: Georgi Kropachyov e Konstantin Yershov

Elenco: Aleksei Glazyrin, Leonid Kuravlyov, Natalya Varley.

Um jovem sacerdote deve orar durante três noites em frente ao corpo de uma bruxa, em uma pequena igreja de uma aldeia remota. Versão do conto magistral de Nikolai Gogol.

Terceira Sessão

Postado em Sessões de Setembro com as tags , em Setembro 27, 2008 por cinegargantua

Sessão em família para assistir a uma comédia tragicômica inglesa sobre a família…

Assistimos (Pavan e Careimi, acompanhados dos gatos), o show de interpretações de Alec Guiness, que faz apenas 8 papéis no filme. Para cada um ele desenvolveu um gestual, uma voz, uma postura, sem contar o figurino e a maquiagem que o transforma em jovem, velho, careca, cabeludo e mulher!

Aquele humor bem tipicamente inglês, com uma pitada ácida e negra sobre um parente rejeitado numa família nobre, por sua mãe ter se casado por amor com um cantor italiano pobre, e como ele vai eliminando um a um seus antecessores na linhagem nobre. 

Fotografia impecável! Na cena do julgamento final, tudo em foco, dezenas de figurantes…lindo!

Perfeito programa de sexta-feira para nós, tarados por cinema.

Segunda Sessão

Postado em Sessões de Setembro com as tags , , em Setembro 21, 2008 por cinegargantua

Vamos engrossando a audiência e a presença de Vagner, Júnior, Sílvia, Lucas, Pavan e Careimi marca a nossa noite de assistir “O Tesouro de Sierra Madre”. Tudo depois das comidinhas (sopa, bruschetta, salada de berinjela com uva passa, bananada e chocolate 70% cacau) que nos propusemos a ter sempre antes, para esquentar o papo e marcar o encontro de boas memórias.

Bogart como protagonista dessa saga dos caçadores de ouro que mais nos leva a pensar sobre as entranhas da ganância e dos seus efeitos no comportamento humano.

Tudo poeira que se dissipa no ar!!! Uma ilusão atrás da outra, e com elas os delírios de poder…

Primeira Sessão

Postado em Primeira Sessão com as tags em Setembro 21, 2008 por cinegargantua


Começamos enfim nossas sessões de cinema, nosso encontro semanal para trocarmos idéias, beliscar algumas comidinhas e curtir um filminho.

Nossa primeira sessão foi em trio com a presença de Mr. Vagner Rodrigues, Careimi e Pavan. Exibição do clássico japonês de Masaki Kobayashi – Seppuku (Harakiri).

Comemos um delicioso babaganuchi, queijinhos e peru, suco de uva, todos preparados pela Careimi. Conversamos e sentamos para assistir ao filme.

Programação

Postado em programação com as tags , , , , em Setembro 21, 2008 por cinegargantua

Dia 12/09:

Harakiri (Seppuku)

Japão, 1962, 135 min.

Direção: Masaki Kobayashi

Elenco: Tatsuya Nakadai, Rentaro Mikuni, Shima Iwashita, Akira Ishihama.

Seppuku é a parte chave do Bushido, o código dos guerreiros samurais. Era utilizado pelos guerreiros para evitar cair nas mãos dos inimigos e para atenuar a vergonha que isso causaria.

Filmada em 1962, recebeu o prêmio especial do Júri no Cannes Festival e é considerado um dos grandes clássicos do cinema mundial.

A paz do Século XVII no Japão causou uma crise no seio do Shogunato, levando à falta de trabalho e à pobreza de milhares de samurais. Um velho guerreiro, Hanshiro Tsugumo, pede permissão a um senhor feudal para cometer suicídio, uma solução honrosa para o destino segundo o código samurai. Lá, ele é informado do destino do seu genro, um jovem samurai que procurou trabalho na casa, mas foi, ao contrário, forçado a cometer a tradicional Harakiri de forma dolorosa com uma lâmina de bambu sem corte.

Dia 19/09:

O Tesouro de Sierra Madre

EUA, 1948, 126 min.

Direção: John Huston.

Elenco: Humphrey Bogart, Walter Huston, Tim Holt, Bruce Bennett, Barton MacLane.

O Tesouro de Sierra Madre (The Treasure of the Sierra Madre, 1948, 126 min.), com roteiro e direção de John Huston (únicas duas estatuetas que o cineasta levou de suas 13 indicações ao longo da carreira), é considerado um dos maiores clássicos do cinema norte-americano. A aventura da busca pelo tesouro, em primeiro plano, na verdade é apenas um cenário para o desenvolvimento dos conflitos dos personagens.

Baseado na obra de B. Traven, conta a história de Dobbs e Curtin, que se conheceram no México, onde fizeram um trabalho temporário juntos. Um velho minerador os convence a gastar o dinheiro comprando equipamentos para mineração, pois com sua experiência, eles poderiam ganhar muito mais do que têm atualmente. É um filme sobre a ganância e o que as pessoas fazem por dinheiro. Oscar de Melhor Direção, Ator Coadjuvante (Walter Huston) e Roteiro Adaptado.

Dia 26/09:

As Oito Vítimas (Kind Hearts and Coronets)

Inglaterra, 1949, 106 min.

Direção: Robert Hamer

Elenco: Alec Guinness, Dennis Price, Joan Greenwood.

Comédia negra sobre jovem decidindo chegar à distante herança da fortuna da sua família nobre, eliminando os oito herdeiros acima dele na árvore genealógica, todos tios, tias, primos etc., e todos retratados por Alec Guinness, em atuações simplesmente geniais.

Dia 03/10:

O Batedor de Carteiras (Pickpocket)

França, 1959, 75 min.

Direção: Robert Bresson

Elenco: Martin LaSalle e Marika Green.

Michael é um jovem que começa a bater carteiras por prazer e pela emoção de roubar. Mas o hábito acaba tornando-se uma compulsão. Ele é preso e passa a refletir sobre seus atos, ao perceber o forte choque causado em sua mãe, família e em seus amigos. Ainda assim, ao ser solto, ele volta ao crime, juntando-se a um ladrão veterano. Mais uma vez sua consciência vai pesar, agora também, porque ele se apaixonou por Jeanne. Para compor com todo o realismo deste personagem, o diretor Robert Bresson contou com a assessoria de um batedor de carteiras profissional francês, que o ajudou na escolha de locações de detalhes reais das cenas. A história e roteiro também se inspira no romance Crime e Castigo, de Fiodor Dostoievski. Belo e sensível.